No tempo que dedico para navegar pelas redes sociais (atualmente mais no Substack do que em qualquer outra), leio comentários de quem pensa diferente de mim.
Eu não dou moral para quem concorda comigo. Você precisa descer muito o nível para chegar nesse ponto e francamente, como vou respeitar alguém assim?
Gosto mesmo é de quem pensa diferente. É porque gosto de lembrar quando eu mesmo tinha opiniões diferentes. Pelo menos das que eu tenho hoje, já que sempre zelei por garantir discordar da maioria das pessoas por pura implicância sem cura. A real é que se todo mundo concordasse entre si, teríamos que repensar a vida.
Nunca foi por ter razão. Deus me livre ser esse tipo de chato.
Nessas viagens por opiniões distintas, me peguei acompanhando escritores totalmente contrários ao uso de inteligência artificial. Fiquei viciado em suas crenças, certezas e sentenças. É fascinante navegar em mares de textos apocalípticos e bravos.
Acho que a gente sempre tenta evitar o conflito e por isso vive na zona de conforto da bolha em que todo mundo peida no mesmo tom. O cheiro nunca é bom, mas às vezes pode nem incomodar. Mas qual é a graça, sabe? Se estamos apenas buscando validação de nós mesmos no outro, cadê aquele papo zen de evolução? Isso não existe de verdade?
É que nem “propósito” para quem tenta encontrar seu “por quê” no mundo corporativo?
Me amarro em ver o ódio nas palavras. Algumas pessoas são verdadeiros fascistas da tecnologia. A IA é vítima de tecnofobismo diariamente e ninguém se importa. Nem eu, para ser sincero. Às vezes até entendo como os elfos domésticos se sentiam em Harry Potter porque eu sou um babaca completo com meu assistente digital. Desconheço as palavras “bom dia” e “obrigado”. E sinto um prazer sádico. Mas não é essa a pauta de hoje. Isso eu vou discutir na terapia.
Como eu ia dizendo: eu adoro ver o ódio no discurso. Recriminam a inteligência artificial com um falso ar de superioridade que só quem tá com o cu na mão consegue ter. Ao invés de iniciarem um relacionamento abusivo e tóxico com seu próprio assistente, ficam reclamando. Citei em um texto que tinha preguiça de quem (em pleno 2025) ainda critica a qualidade de um texto de IA.
A pessoa não sabe usar a ferramenta e reclama do que constrói. Sem falar na parte que ela deve ser como 90% das pessoas que escrevem e querem publicar seus livros: não leem nem a si mesmos. Só isso para querer defender superioridade de produção humana em cima de qualquer coisa feita pela ferramenta. Eu gosto de me torturar vendo filme ruim. Gosto de me torturar lendo tuítes ruins. Gosto de me torturar ouvindo Capital Inicial. Acreditem. A gente faz muita coisa horrível para criarmos um apego com o que só existe na nossa cabeça.
Eu gosto de IA. E sei usar IA. Pelo menos o suficiente para preferir meu jeito de escrever. Mas quando se trata de negócio, como um blog ou um anúncio, não existe mais a menor chance de perder tempo criando hipóteses e teses. A gente não pode supervalorizar inteligência de nenhum consumista doido para digitar os números do cartão de crédito.
