Peguei a novinha (E não é esse tipo de novinha que você pensou)

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Pessoas que trabalham com digital sofrem de um mal crônico: a chamada Síndrome da Novinha fode com a nossa cabeça. Não basta ficar imerso em duzentos projetos ao mesmo tempo, o próximo é sempre o mais interessante.

A gente nem se importa mais em deixar o projeto anterior incompleto. Agora sabemos que o novo projeto é melhor, mais lucrativo, mais rápido e mais fácil. Até surgir a próxima novinha.

No final das contas, ninguém tá livre de parecer um velho babão sedento por uma fornecedora de infartos ou nova beneficiária do seu testamento.

Em fevereiro de 2024 iniciei minha trajetória como estrategista digital nesta nova empresa. Foi quando descobri o quanto o mercado é imaturo e achei graça da necessidade do marketing em nomear tudo e todos. Chamam tudo de estratégia — principalmente o que não é.

Post de Instagram vira estratégia.

Vídeo de YouTube vira estratégia.

Spoiler: não é.

E os tais estrategistas de rede social sequer possuem um dashboard ou uma planilha para acompanhar métricas que importam. “Métricas? Oi?”

Estrategista hoje é o copywriter de 2017. Todo mundo brilha os olhos quando escuta esse nome. Parece que a pessoa é importante. Necessária. E a imagem, meus amigos, a imagem dos “estrategistas” realmente convence os mais emocionados.

Em fevereiro de 2024, eu era verde. Não tão verde ao ponto de ser estúpido ao ponto de dizer publicamente “a minha estratégia é postar 3x por semana e diariamente no Story”, mas verde como a urina de quem toma suplemento vencido.

Tomei um cacete. Muitas vezes na linha tênue entre a humilhação, assédio e aprendizado, sangrei para ajustar o meu conhecimento com as expectativas do cargo e o que estava ao alcance do time.

Fui demitido por razões comportamentais. Ou incompetência mesmo. Vai saber. Fui recontratado em outra função porque eles perceberam que viver em um mundo em que eu não existo, é tristeza certa. Vou pular a parte que experimentei ser CS (de Customer Success, não de Counter Strike) e coordenador de Mentoria, e falar logo do momento atual.

Sem dar chance para novas razões comportamentais me afetarem (leia-se: preciso arrancar cabeças ao invés de protegê-las assumindo seus erros — o que deveria ser elogiado, já que estrategista é ser liderança), retomei o caminho no marketing.

Não apenas como copywriter.

Não apenas como estrategista.

Não apenas como gestor de projeto.

Mas como PO (de Product Owner, não de Puta Otário — mas não vamos romantizar isso também ) de…

Não apenas um… Não apenas dois… Não apenas três projetos…

O que? Acha muito?

Eu sou PJ, uai. Isso não é um romance da Disney. Se fosse para ser fácil, eu teria um OnlyFans. Bem. Verdade seja dita. O Substack é meio que o OnlyFans de quem se masturba com palavras.

Entendo que a ideia real de um ‘estrategista’ é, no fundo, lúdica. Está muito longe de existir no mundo real, quando todos precisam colocar a mão na massa e ser capazes de otimizar a produtividade, efetividade e lucratividade de suas ações.

Acho divertido quando encontro estrategistas — especialmente os de redes sociais. Não é incorreto alguém se autoproclamar estrategista de rede social, mas sempre resumem seu conhecimento a “postar mais”.

Todo mundo acha que sabe desenhar uma estratégia ou que é estrategista. Me faz pensar em homem dizendo que sabe onde fica o clitóris. É muita autoconfiança e autoestima. A pior parte é que enganam trouxas frustrados com o bolso cheio de dinheiro. O estrategista de verdade tá preocupado em arrumar um guarda-chuva (ou abrir a boca) prevendo o resultado dos estímulos nas glândulas de Skene.

É isso.

Compra meu livro!

Entramos em assuntos úmidos e tudo que eu queria era compartilhar que voltei a cuidar do projeto responsável pela minha primeira (é uma longa história) demissão.

Assumi a produção da quarta edição desse projeto (é um evento presencial). Foi a edição que mais vendeu ingresso, a única que deu lucro na fase de aquisição e mesmo assim, me mandaram embora na época. Foi um gelo para aprender a ser malvado.

Volto para cuidar da sétima. Não com a mesma qualidade da quarta, afinal o projeto já está rodando e entrei como um teste de fogo para mudar o cenário. Se eu não conseguir, devem me mandar embora pela sétima vez. Se me mandarem embora de novo, dessa vez eu mesmo assino o desligamento. Depois disso, só reencarnando em outro CNPJ.

Se alguém quiser, compartilho as cenas dos próximos capítulos. Se não quiser, eu conto também.