Uma paulada de crônica direto da LinkedIsney. Talvez seja (mais) um trecho de Filipa. Ou não.
Às vezes, me encontro em situações estranhas. Aquele tipo de conversa da qual não entendemos como começou. De repente, você se pergunta: quando foi que um “você conseguiu resolver aquela pauta?” virou uma degustação imaginária de pênis corporativos?
Era para ser apenas mais uma quarta-feira de trabalho na firma. Virou um pesadelo acordado, no qual me fizeram imaginar todos os homens do time pelados. Nunca perdoarei aquelas três colegas por isso.
Falaram primeiro do coordenador esquerdo-macho. Riram que o pau dele também devia fazer o tipo “óculos casual”. Descolado. Mas também que encerraria a ação depois de um colocar-tirar-colocar-tirar-colocar-tirar de novo. Bem assim. Usando meias, em um papai-mamãe sem graça, mas com a consciência da essência da verdadeira gozada remunerada. Há quem faça dinheiro enquanto dorme. Há quem faça vendas enquanto goza.
Depois, decidiram falar de um outro gestor, menos poderoso, mas igualmente sem graça. Saiu direto de um prédio da Faria Lima para a cama. Não basta transar de meia. Tem que ser meia xadrez. De frente para o espelho, mandando ver na esposa de quatro e babando nos próprios músculos do braço tatuado com um navio pirata. E admirando os gominhos, trabalhados diariamente na academia. Até teria uma caceta de respeito, mas com um olhar focado apenas no seu reflexo.
Aquilo me fez rir. Mulheres falando putaria é muito mais divertido do que homens. A putaria é engraçada. Sem ficar exclusivamente na objetificação dos papos masculinos, que se resumem a “meti o pau na gostosa”, “leite na borracha”, “mamou demais” e equivalentes.
Como já estava no meio do papo e traumatizado com as imagens que nunca pedi para ter, expressei curiosidade à respeito do meu equipamento. Perguntei se elas levaram em consideração a parte da hipertensão. “Isso afeta meu desempenho e geraria situações divertidas, tipo o SAMU precisar me resgatar e um barbado ter que me fazer respiração boca-a-boca para me reanimar.”
Uma das três — com quem tive algo próximo do que se pode chamar de relacionamento no passado — incentivou as amigas para falarem de mim. “Ele estudou respiração tântrica para durar mais tempo.” Foi um estímulo para a minha autoestima. E durou zero segundos.
“Você é cabeludo. Tipo o Primo It. Precisa colocar os pelos para o lado até te achar e tomar cuidado para não engasgar com o cabelo.”
Podia ser pior, né? Pelo menos não uso meias, nem trepo olhando meu próprio reflexo. Ou preciso de um desfibrilador depois da ação. Quer dizer… talvez a última parte seja necessária.
Falaram do nosso colega garanhão gordinho com autoestima de milhões. As três contam que o cara deu em cima de todas na mesma festa antes de levar a estagiária para o banheiro. Lembro do caos que foi. Uma delas disse que a piroca dele devia ser a própria fábrica do Polenguinho. Comecei a rir, sem acreditar. “Ele tem cara de ter pinto sujo e fedido”, sussurrou.
Sobrou até para o careca. Essa foi piada pronta. “Deve ser comprido e fino, mas com a cabeça rosa.” Se os cachorros são reflexo dos donos, faz sentido os pênis também serem assim.
Elas se recusaram a falar do negão gostoso, no entanto. O cara é alto, forte (sem ser gordo), atleta, tem lábia boa e parece ter um bom papo (apesar do dia em que perguntou o que era “cinéfilo”; no caso, cinéfilo significa alguém que não transa com ninguém nesse escritório e cujo pinto se chama Slash). Talvez fossem pensamentos menos divertidos e mais selvagens. Vai saber.
Acho que aqui está a magia feminina de verdade. Elas sabem quando começam a parecer homens. Elas sabem exatamente onde parar. No ponto exato entre a risada e o constrangimento — aquele limbo onde nós, os homens, ainda achamos que somos protagonistas.
