termos em inglês marketing

Marketinguês para Leigos: traduzindo o inglês corporativo

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Recebi uma proposta durante a oficina de escrita do Marcelino Freire. Ele sugeriu que eu criasse um glossário de termos em inglês do fantástico mundo do marketing digital.

Eu não sei o quanto você conhece desse universo, mas os caras forçam a barra para complicar a comunicação. Ou massagear o próprio ego. Ou as duas coisas. É como se falar algo em outro idioma te fizesse mais importante, sabe?

Na época em que trabalhava na Hotmart ouvi coisas inacreditáveis. Eu já tinha a ideia da premissa básica desse livro novo que estou trabalhando, mas não tinha tanto ódio desses termos ainda. Até o dia em que ouvi: “Nós não temos capacity para disparar esses e-mails para a base.

Capaci-o-quê?

Até pensei que era uma piada interna. Demorou algumas semanas para entender que a trooper Lolover não estava de sacanagem. Ela realmente usava esse termo.

No entanto, meu momento favorito foi outro. Acredite se quiser. Pode ficar pior. Nunca subestime um empreendedor CLT.

Estou com dificuldades, man! Esse código é o mais tricky!

T

R

I

C

K

Y

Man, quem fala isso em voz alta? Aparentemente um gestor zé-ruela. Nesse dia não consegui segurar a gargalhada e perguntei: “Mano, o que foi que você falou aí?” e fiz minha melhor cara de deboche amigo.

Por coincidência ou não, fui demitido semanas depois desse episódio.

Tricky.

Dicionário Corporativo: O idioma do Estresse Crônico

Ou como usar palavras em inglês pra fingir que a firma tá sob controle (mesmo quando tá on fire). Ainda não sei se vou incluir algo assim em Filipa, mas esse é o modelo inicial.


Call / Meet

Reunião, só que com nome de aplicativo.
Não se iluda: é só uma reunião igualzinha às de 2003, mas agora com a internet travando, um idiota falando com o som desativado e aquele colega que estava cagando, mas aparece pra dizer “desculpa, tava em outro meet“.

“Vamos marcar uma call?” = Quero te enrolar, mas com cara de produtividade.


Ads

É pagar pra ser ignorado.
Também conhecido como o lugar onde a verba vai morrer.
Você cria uma campanha linda, segmenta direitinho, coloca o ROI no colo do universo e… adivinha? Seu anúncio aparece pra uma senhora chamada Aparecida, que clica achando que é promoção da Cacau Show.


Churn

Termo chique pra “cliente vazando”.
Finge que é um dado técnico, mas é só um jeito de não dizer: “ninguém gostou do nosso serviço e tá todo mundo metendo o pé”.
A galera do CS (é mais bonito falar Customer Success que sucesso do cliente, aparentemente) vive em modo pânico tentando “reduzir o churn” enquanto o cliente já tá trocando as senhas e deletando o app.


Briefing

Em teoria: o documento guia que vai orientar todo o projeto.
Na prática: um áudio de WhatsApp gravado no trânsito, com frases como “faz algo criativo, mas simples”, “não sei bem o que quero, mas aviso se não gostar” e “inspiração? Ah, pega no Pinterest”.

Retrabalho confirmado em 3, 2, 1…


Burnout

“Esgotamento”, mas com um nome sexy pra ninguém levar a sério.
É aquele colapso nervoso gourmet, que você tem entre uma call e outra, mas segue ignorando porque “o projeto precisa sair”.
Aqui no Brasil, já virou item obrigatório na carteira de trabalho de quem usa Slack e tem um planner digital.


Growth

É o novo “sucesso”.
Só que com PowerPoint.
Tudo agora é growth: growth hacking, growth team, growth morning com pão de queijo e Rivotril.
Ninguém sabe direito o que é, mas soa bonito no pitch.

“Nosso foco é growth, não metas pequenas.” Tradução: vamos fazer loucuras e fingir que é estratégia.


Engagement

É quando você posta uma arte linda com CTA otimizado, e sua mãe dá like. Só ela.
Se ninguém comenta, a solução é mandar no grupo da firma: “galera, dá uma força aí”.
Engajamento é a nova autoestima. Sem ele, você se sente invisível num feed lotado de coach e carrossel com a mesma dica de sempre: “poste com consistência”.


Follow-up

É cobrar, só que disfarçado de educação.
Você não fala “e aí, vai responder ou não?”, você manda:

“Oi, só passando pra dar um follow-up rapidinho aqui 😉”
A passivo-agressividade virou processo oficial.


Deadline

Prazo que todos fingem que vão cumprir, mas já sabem que vai atrasar.
Um “deadline” bem usado é aquele que vem com uma planilha, um cronograma Gantt e nenhuma chance de ser cumprido.


Onboarding

É o ritual de iniciação da firma.
Prometem cultura leve, integração e mentorias.
Você recebe um PDF de 78 páginas, um link pro Trello e um acesso negado ao Google Drive. Parabéns, você foi onboardado. Agora se vira.


Insight

Ideia que ninguém pediu, num momento que não precisava.
Normalmente vem acompanhada de:

“Tive um insight aqui às 3h da manhã…”
Tradução: acabei de ter um surto e quero arrastar você comigo.


Conclusão:

Se você não fala inglês fluente, não se preocupe.
No mundo corporativo, inglês não é idioma. É maquiagem.

Serve pra mascarar a falta de prazo, de clareza, de processos, de competência e de estrutura — mas, olha só, com termos de Silicon Valley.

Agora respira fundo, vai ali fazer um meet, entrega no deadline, ativa o engagement, evita o churn e tenta não ter um burnout.

Ah, e se sobrar tempo… faz um insight virar case.

#Trabalho #Growth #Linkedisney #ChurnPanic #CallMeMaybe