CORRIDA DOS RATOS

Fingir ser, não vai te fazer ser

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O fantástico mundo do LinkedIsney fora das telas te faz buscar propósito onde existe apenas o vazio.

Você já deve ter ouvido falar da corrida dos ratos.

(Pelo amor de Deus. Isso não foi uma referência a Pai Rico, Pai Pobre)

Conheci o termo com esse curta-metragem animado. De alguma forma, o filme virou uma daquelas pérolas da internet que a gente acredita que existe desde sempre. Mas ele ganhou as redes apenas em 2017.

Caso não tenha visto ainda, o que realmente me parece improvável, recomendo se presentear com uma boa dose de “Felicidade” com o mundo real.

É.

A gente vive uma eterna corrida dos ratos.

Constantemente olhando para a roupa, cabelo, barriga, seguidores, marido/esposa, trabalho e grana do outro. Se comparando. Desejando cada vez mais porque tudo pode ficar melhor.

Com um olho tão grande fica difícil não se esforçar para buscar pertencer. Pode doer, mas ser autêntico dói muito mais. Sabemos que não existe sentido, fabricamos desculpas como motivos diariamente, e vamos continuar repetindo o mesmo dia atrás do outro.

Vivemos um mundo das aparências em que todo mundo sente que precisa fingir ser o que não é. Isso nunca vai mudar. Esse não é um texto adolescente espumando rebeldia. Esse é um texto conformado de quem não enxerga mais o próprio pinto, como sempre fez piada antecipando o futuro.

Chegamos até aqui para conseguir enxergar claramente. Feliz de quem escolhe não enxergar. Aliás. Feliz de quem não sabe nem que existe algo para enxergar.

Hoje tive uma reunião em que perguntaram sobre o propósito de cada pessoa do time. O mundo corporativo é um reality show de coach sem fim. Quis até abrir uma cerveja para refletir mais sobre a questão. Que porra de pergunta é essa? “Qual o meu propósito?”.

Não sei responder isso nem depois de fumar um em Santo Antônio do Leite. Para ser sincero, eu sinto como se minha cabeça derretesse cada vez que dou uma tragada naquele baseado interdimensional. O mais próximo que já tive de um aneurisma cerebral depois de quase ter um aneurisma cerebral.

Enquanto ouvia as respostas de pessoas muito menos cínicas e fodidas da cabeça que eu jamais seria, lembrei da corrida dos ratos. Propósito e “Felicidade” são formas diferentes de falar a mesma coisa. De novo. De novo. E de novo de novo novamente.