Um fato:
Além de publicitário e autor desbocado dessa newsletter, eu também sou baixista. Ainda que goste de reforçar a diferença entre “ser baixista” e “tocar baixo”, não precisamos entrar nessa discussão.
Iniciei minhas aventuras sonoras lá em 2002, quando um colega me convenceu a montar uma banda. Peguei um violão abandonado no armário e comecei a dedilhar. Ainda que dedilhar as cordas do violão tenha se provado uma deliciosa introdução a um ~recurso na vida adulta, não tinha tanta graça.
Foi quando vi uma apresentação do Red Hot Chili Peppers pela televisão e o comportamento do Flea fez todo sentido pra mim. Ainda que eu tivesse apenas o velho violão da minha mãe, nada me impediria me tocar baixo.
Com o passar dos anos tive mais bandas que relacionamentos. Ambos terminavam pelos mesmos motivos: sou chato e egoísta demais para fazer algo durar tanto tempo. Fora a exigência de entrega e comprometimento das partes envolvidas.
Pronto.
Agora podemos falar de bondage.
Minha última banda terminou (ou seja, eu fui expulso) em 2017. O vocalista disse que eu prestava mais atenção nas redes sociais da banda do que em trazer ideias para as músicas. O cu dele. Porém, a verdade é que não tive saco para mais experiências e fiquei anos sem tocar.
Isso mudou ano passado. Fui fazer uma jam totalmente descompromissada com meus parceiros mais antigos de música e levei o baixo para o escritório. O expert dono da empresa tem um projeto de música autoral e conversamos sobre esse mundo fantástico da música. Ele perguntou se eu estava “em forma” e tocando com frequência. Respondi que sim, obviamente. Ignorei a “aposentadoria” há quase 10 anos.
Mas o dono da empresa perguntou se eu não queria tocar com ele no encerramento de um dos nossos eventos presenciais. Topei na hora, né? Música talvez seja uma das poucas coisas que sou totalmente cara de pau. Pode ser porque é provavelmente a única área em que eu sinta que sei exatamente o que estou fazendo (o que não significa ser um excelente músico. Lembra da diferença entre “ser baixista” e “tocar baixo”? Pois é).
Fizemos o show sem nenhum ensaio prévio. Digamos que não saiu como a gente planejava, mas foi divertido pra cacete. Subir naquele palco foi relembrar as melhores sensações da vida. O mundo faz sentido quando a gente está no palco. Fora as reações do time: “quem era aquele Tullio do palco?” e comentários assim. Música transforma o humano, bicho.
Em janeiro tive outra chance de tocar. Agora com meu amigo Lucas Paio (sigam a newsletter dele e se preparem para o que vem aí) comemorando aniversário e relembrando a época em que a gente fazia isso na mesma frequência em que tomava banho (caso tenha dúvidas: uma vez por semana, sempre aos sábados).
Sexta-feira passada, dia 25, recebi um amigo do escritório para fazer um som na sala do meu apartamento. O filho da puta me fez tocar Capital Inicial, mas tudo bem. Podia ser pior. Ele poderia ter lembrado do RPM. Sem baterista é esquisito, não vou negar, mas tocar é gostoso de qualquer jeito.
Diz ele que vamos ter um show mês que vem. Repertório de 2h30.
Promissor.
