Vamos encarar a realidade: o seu leitor não é paciente. Ele tem a capacidade de atenção de um peixinho dourado viciado em cafeína. Se o seu primeiro parágrafo for chato, ele vai embora. Se o final do capítulo for morno, ele vai dormir.
Você não está competindo com outros livros. Você está competindo com a Netflix, o Instagram e a vida social dele.
Para vencer essa guerra, você precisa de Ganchos (Hooks).
Um gancho não é apenas uma frase bonita. É uma armadilha psicológica. É a arte de abrir uma pergunta na cabeça do leitor que ele precisa desesperadamente ver respondida.
Aqui estão as técnicas para injetar adrenalina no seu texto e garantir que o livro só seja fechado quando acabar.
1. O Gancho de Abertura (O “In Media Res”)
O maior erro do escritor amador é começar explicando. “Era uma manhã chuvosa de terça-feira e João acordou triste…” PARE. Ninguém se importa com o João ainda.
Comece a história no meio do incêndio. Literalmente ou metaforicamente.
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Chato: “Maria estava pensando sobre como seu casamento estava indo mal enquanto lavava a louça.”
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Gancho: “A primeira vez que Maria pensou em envenenar o café do marido foi numa terça-feira comum.”
Viu a diferença? No segundo exemplo, o leitor pensa: “Espera, ela vai matar ele? Por quê? Ela vai conseguir?”. Pronto. Fisgado.
2. O Efeito Zeigarnik (Loops Abertos)
A psicologia explica: o cérebro humano odeia coisas incompletas. Nós lembramos mais de tarefas interrompidas do que de tarefas concluídas.
Use isso. Nunca entregue toda a informação de uma vez.
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Se dois personagens estão discutindo um segredo, não revele o segredo na página 10. Deixe-os falar sobre “aquela noite” ou “o que está enterrado no quintal” por alguns capítulos.
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Transforme o leitor em um fofoqueiro desesperado para saber o final da história.
3. O “Cliffhanger” de Final de Capítulo
Se o seu capítulo termina com o personagem indo dormir pacificamente, seu leitor vai fazer o mesmo: fechar o livro e dormir.
O final do capítulo deve ser um abismo.
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A Revelação Súbita: “Ele tirou a máscara e Sara prendeu a respiração. Não era um estranho. Era seu pai.”
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O Perigo Iminente: “O motor do avião parou. O silêncio foi mais alto que o grito.”
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A Pergunta sem Resposta: “— Eu sei onde o corpo está — disse ela. — Mas vai custar caro.”
O objetivo é fazer o leitor dizer: “Só mais um capítulo” às 3 da manhã.
4. O Gancho de Diálogo
Diálogos realistas são chatos. Na vida real, falamos “oi, tudo bem, como vai a família”. Na ficção, isso é lixo.
Corte as saudações. Corte as despedidas. Faça os personagens entrarem em cena querendo algo e saindo frustrados.
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Comece um diálogo com uma acusação, uma confissão ou uma mentira.
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Faça um personagem ignorar a pergunta do outro. O conflito prende a atenção. A harmonia dá sono.
O vídeo fala de redes sociais, mas vale a pena entender como funciona para usar ao seu favor.
Ganchos são ótimos, mas onde eles se encaixam?
Você aprendeu a criar iscas. Ótimo. Agora você sabe capturar a atenção momentânea.
Mas um livro não é feito só de frases de efeito e explosões. Se você tiver ótimos ganchos em uma estrutura narrativa que não faz sentido, você não tem um livro, tem um filme de ação ruim do Michael Bay.
O gancho traz o leitor para dentro, mas é a estrutura que o mantém lá. Você sabe construir o resto da casa ou só sabe pintar a fachada?
