Porque ninguém escreve livro de pé (nem deitado, sonhando, procrastinando ou postando no Instagram que “vai escrever”)
Vamos falar sobre o único segredo real da escrita que ninguém vende em curso online, não está em manual de storytelling, nem vem com efeito sonoro de “ping” motivacional:
Você só escreve quando senta a bunda na cadeira.
É isso.
Pode ser uma cadeira gamer, de bar, de rodoviária… mas a sua gloriosa bunda precisa encontrar um assento e ficar lá tempo suficiente pra sair mais que um parágrafo e um suspiro existencial.
Por que é tão difícil sentar (de verdade)?
Você já limpou a casa, organizou as gavetas, desativou notificações, acendeu vela aromática, ouviu podcast sobre produtividade, fez café e… não escreveu nada.
Isso não é preparação. Isso é encenação.
A dificuldade não está na escrita. Está em encarar o fato de que escrever dói. Dá medo. É solitário. E exige presença.
O problema não é o bloqueio criativo. É a síndrome do “só mais um pouco…”
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Só mais um café.
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Só mais um vídeo no YouTube.
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Só mais 15 stories do autor que você inveja.
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Só mais uma planilha de metas literárias (que você não vai cumprir).
E quando vê, já são 18h, a luz do dia foi embora e você gastou a energia criando desculpas bem estruturadas.
Sentar a bunda na cadeira é um ritual sagrado (e anticlimático)
Você acha que o escritor entra em transe, recebe a visita de uma musa, vê as palavras descerem como num milagre grego?
Errado.
A cena real é:
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Um humano sentado.
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Uma tela piscando.
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Uma vontade intensa de desistir.
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E mesmo assim, os dedos se mexem.
Como praticar a Arte de Sentar a Bunda na Cadeira (sem enlouquecer)
1. Crie um horário ridiculamente fixo
Não “quando der”.
Hora marcada. Com ou sem vontade.
Escrever todo dia às 9h, mesmo que seja só pra escrever “não sei o que escrever”, ainda é melhor do que esperar “o dia perfeito”.
2. Reduza a meta até não haver mais desculpa
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Hoje você só precisa abrir o documento.
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Amanhã, escrever uma frase.
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Depois, um parágrafo.
E quando vê… pá! Você tá no meio de um capítulo. E odiando cada palavra, mas escrevendo mesmo assim.
3. Crie punições simbólicas (ou use a humilhação pública)
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Não escreveu hoje? Sem série.
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Não escreveu amanhã? Posta no story que falhou.
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Falhou de novo? Bota “vou escrever amanhã” na bio até cumprir.
Se a disciplina não vier pelo amor, que venha pelo constrangimento.
4. Ignore o mito da inspiração
Inspiração é a cereja.
Mas se você não fizer o bolo, não tem onde botar a cereja.
5. Escreva com raiva, com sono, com tédio, mas escreva
Nem toda sessão de escrita será épica.
Algumas serão um desabafo mal pontuado, uma cena que vai pro lixo, um diálogo que parece fanfic ruim.
E tudo bem. Porque você só melhora escrevendo porcaria o suficiente pra começar a encontrar o ouro.
O segredo é repetir até virar hábito (e o hábito não discutir com a sua preguiça)
Você não vai querer escrever todo dia.
Mas se a sua bunda souber onde ela deve estar naquele horário, o resto do corpo segue.
Conclusão: o maior talento de um escritor não é criatividade. É bunda disciplinada.
Não importa se você escreve bem, mal ou em dialeto próprio.
Se você senta, fica e insiste, você termina.
E quem termina livro, termina projeto, termina série, termina ideia.
Escrever é 10% talento, 90% bunda na cadeira.
