Como a inteligência artificial impactou o meu trabalho
Vamos lá.
Eu sempre produzi muito conteúdo na mão. Desde o começo dos anos 2000 com o Fotolog e depois com o Não Gosto de Chico, meu primeiro blog, eu escrevi. Escrevi. E escrevi mais um pouco.
Foram muitas análises de álbuns, shows e filmes. Muitos objetivos, sonhos e desejos motivando aquela produção insana e inspiradora (ou intimidadora) para os colegas.
Boa parte dos meus objetivos foram frustrados. Seja por falta de tempo, incompetência profissional ou social, não consegui viver de blog. Demorei um tempo para entender que meus ganhos não eram financeiros. E que fui burro pra caralho de não ter sacado isso antes.
Mas hoje não quero falar sobre isso.
Hoje eu quero falar de como a inteligência artificial é a solução para o primeiro obstáculo: tempo.
Se você me conhece há muito tempo, vou ser ousado e afirmar que consegue entender quando digo que não estamos ficando mais jovens. Isso significa que não tenho mais a mesma disponibilidade (física, emocional e intelectual) de produzir mais de 20 listas gigantes em um mês. Não dá. Quase ter um AVC e morrer com a pressão em 20×16 não me estimulam a tentar esse esforço.
Adicionando a parte que a maioria das pessoas também não tem tempo/prioridade para produzir conteúdo (posso ser sincero? a maioria não tem tesão real nessa história e só faz porque gosta de se distrair escrevendo… mas é outro tópico a ser discutido depois), seria praticamente impossível ter um site de conteúdo.
“Por que você não paga alguém para escrever, Tullio?”
Porque não ganhei na loteria, ô alma divina e defensora trabalhista.
Tudo isso mudou com o ChatGPT. Minha relação começou lentamente. Meu lado ideológico (de quem viu Exterminador do Futuro 2 e sabe como tudo vai acabar) não permitiu entrar de cabeça no primeiro momento (2023). Felizmente, eu aceitei que ideologia, fazer a coisa certa e se preocupar com opinião das outras pessoas não vai pagar nenhum boleto e muito menos me aproximar dos meus sonhos/objetivos.
O meu segundo momento com IA começou no segundo semestre de 2024. Foi quando ressuscitei a ideia do portal Listas de Tudo. 98% do conteúdo é produzido por IA e feito para atrair visitantes que não me conhecem. Passei a usar no Cinema de Buteco com um perfil exclusivo. Afinal, tenho meu orgulho e vaidade. Meu texto é meu. Texto de IA é coprodução.
Os resultados foram excelentes. Tão bons, que me fizeram chegar no terceiro momento. Agora me questiono: Porque eu deveria usar meu precioso tempo de 60, 90, 120 minutos produzindo uma análise de um filme qualquer? Ou de qualquer coisa que não mexe comigo o suficiente para valer a pena escrever?
Comecei a ver a situação de um jeito prático. Meu próprio 3Ps.
Produzir o texto pode ser algo 100% operacional.
Pensar no texto e como quero a sua estrutura é 100% tático.
Planejar qual pauta merece um texto e estabelecer os objetivos é 100% estratégico.
Não estou ficando mais jovem para achar OK ser operacional produzindo conteúdo que só vai existir pra me gerar clique. Ou análises de obras que não falaram nada comigo. Hoje eu sou mais inteligente com meu tempo. E tenho uma ferramenta que funciona como o parceiro profissional que nunca tive.
Talvez use IA nessa newsletter para provar o meu ponto de que não importa o como. Apenas a mensagem final. Mas vou avisar sempre que decidir ser apenas o editor e botar meu assistente para o trabalho pesado. Eu gosto de dar ordens. O que posso fazer?
Agora me conte: como a IA está transformando a sua vida?
